Blog Vou de Bike

Seja bem-vindo ao “Eu vou de bike“, um novo ponto de encontro para os apaixonados por bicicletas. O portal, oficialmente inaugurado nesta segunda-feira, foi feito para a troca de ideias e informações sobre ciclismo, falar sobre preferências na escolha das bikes e discutir os problemas da mobilidade urbana.
Em breve, vamos lançar um sistema inovador em que você, internauta/ciclista, poderá escolher, criar e compartilhar rotas mais seguras, culturais ou ecológicas para pedalar pela sua cidade.
Uma das novidades aqui do “Eu vou de bike” é esse contador que você vê no topo de todas as páginas. Clicando nele, você pode calcular quantas calorias poderia perder e quanto dinheiro poderia economizar trocando o carro pela bicicleta. Além disso, a calculadora também mostra a quantidade de CO2 que você deixa de emitir na atmosfera ao fazer a mudança.
O “Eu Vou de Bike” é um site participativo e você pode contribuir de várias maneiras. A primeira delas é comentar com críticas, dúvidas e sugestões em nosso blog. Se você gosta de fotografar, é só colocar a tag “euvoudebike” em suas fotos no Flickr que elas vão aparecer aqui no site. E se você tem um blog, Twitter ou site sobre bicicleta, se cadastre aqui e compartilhe suas ideias!
Mais uma vez: seja bem-vindo. Assim como na rua, o espaço aqui é de todos!
Muita gente deixa de pedalar porque não não gosta de usar roupas esportivas ou não pode chegar de bermuda e camiseta de lycra no trabalho, por exemplo. Mas o “cycle chic“, um movimento surgido na da Dinamarca, mostra que é possível pedalar com muito estilo e atrair olhares por onde passa.
O termo “cycle chic” surgiu em Copenhague, em meados de 2006, quando o fotógrafo Mikael Colville-Andersen criou um blog com fotos de ciclistas estilosos da cidade, uma das mais adaptadas ao ciclismo urbano. Desde então, seu blog documenta em extensivas galerias de fotos aqueles que conseguem se vestir bem e de forma prática para pedalar.
O blog Copenhagen Cycle Chic ficou conhecido, a ideia se espalhou pela Europa e começa a tomar força ao Brasil. Por aqui temos blogs como o Curitiba Cycle Chic e o Gata de Rodas, que trazem ótimo conteúdo em português sobre o assunto.
O “cycle chic” aposenta a roupa fitness e deixa o ciclista pedalar como ele se vestiria normalmente. Calça e sapato para os homens, saia e salto para as mulheres… A ideia básica é pedalar com classe e mostrar que é possível integrar a bicicleta à rotina das pessoas, sem que elas precisem alterar seu modo de vestir por causa de seu meio de transporte.
Por trás do apelo fashion, Mikael Colville-Andersen, o fotógrafo que criou o Copenhagen Cycle Chic, diz que o movimento busca levar o ciclismo urbano ao que era antigamente. “Desde o primeiro dia da existência de uma bicicleta, as pessoas usavam roupas normais para pedalar. A bicicleta era uma ferramenta de transporte e nada mais”, escreveu em um dos posts de seu blog.
Em uma entrevista ao jornal britânico “The Guardian”, Andersen explicou que o objetivo do seu site é que o ciclismo seja reconhecido como um meio de transporte comum para as cidades. “Pessoas de vários países acreditam que o ciclismo é apenas um esporte ou um hobby e não percebem que pode ser também um transporte cotidiano”, disse.
“O que estou tentando dizer é que andar de bicicleta é - e sempre foi - uma coisa bastante simples. Tudo o que você precisa é de… uma bicicleta! (…) Qualquer roupa que você usa como pedestre também pode ser usada para pedalar. Se você vai usar a bicicleta para atividades esportivas ou pedalar em corridas de longa distância, você vai precisar de equipamentos e roupas específicas. Mas se você quiser ir de bicicleta ao trabalho ou ao supermercado, em distâncias curtas, você não precisa de nada especia. Basta abrir seu armário”, conclui Andersen.
Veja abaixo alguns exemplos do que é considerado “cycle chic”:



Veja mais fotos no Flickr do Eu Vou de Bike

Depois que você resolveu usar a bicicleta como meio de transporte, comprou os equipamentos necessários, chega a hora de colocar a bike na rua. E é quando você começa a pedalar entre os carros que dá aquele frio na barriga. Mas fique tranquilo! Seguindo algumas orientações básicas de postura no trânsito, sua pedalada será muito segura para você e para os outros.
Primeiramente, respeite sempre as leis de trânsito, que valem tanto para um carro, um ônibus ou uma bicicleta. Pare no farol vermelho, respeite a faixa de pedestre, dê a preferência quando necessário em um cruzamento…

Na calçada, o ciclista vira pedestre e deve empurrar a bike
Além disso, tome sempre cuidado com cuidado com cachorros, crianças brincando e idosos cruzando a rua. Se for usar a calçada, “vire pedestre”, desça e empurre a bicicleta até voltar para a rua. Lembre-se sempre: ser gentil e educado é sempre a melhor postura.
Na rua, pedale sempre do lado direito da via, sem andar em “ziguezague”, a cerca de um metro dos obstáculos. Se você “colar” no meio fio, os carros podem passar muito perto e você pode cair só com o susto! Por lei, os automóveis são obrigados a ultrapassar qualquer bicicleta a pelo menos 1,5 metro de distância lateral. Na prática, como sabemos, isso quase nunca acontece, seja por ignorância da lei ou por ignorância pura do condutor.
Ao pedalar perto do meio fio, tome cuidado com as portas de carros que se abrem e também com buracos, bueiros e valetas. Se um carro estacionar mais à frente, reduza a velocidade e fique atento para a hora em que o motorista vai abrir a porta. O risco maior de levar uma “portada” não é nem o choque em si, mas você cair na rua e ser atropelado.
Apesar de parecer mais seguro, nunca pedale na contramão. Se você estiver a 20 km/h e um carro na direção contrária a 50 km/h, a velocidade de aproximação será de 70 km/h. Em caso de colisão, o estrago é bem maior! E o tempo para desviar, menor. Além disso, o pedestre que cruza a rua e o motorista que dobra a esquina só olham para o lado de onde vêm os automóveis. Andar pela contramão é um dos grandes causadores de acidentes, e também denigre a imagem do uso da bike na cidade.
Comunicação por sinais
Assim como os carros, que precisam sinalizar com o “pisca” sempre que vão virar para algum lado ou acender a luz de freio na hora de brecar, os ciclistas também devem se “comunicar” de forma não-verbal com os outros ocupantes da via para evitar acidentes.
Sinalize com antecedência sempre que você for mudar sua rota ou realizar alguma manobra diferente.
Se for virar a direita, por exemplo, estique o braço nesta direção e aponte para baixo. Não faça movimentos bruscos: nunca entre em uma rua sem olhar, nem mude de pista sem avisar. Para virar a esquerda no cruzamento, peça passagem e vá mudando de pista, caso você seja experiente. Do contrário, desça da bike e atravesse na faixa, como pedestre.
Se você planeja seguir em frente e muitos automóveis forem virar a direita, faça um sinal para a frente com a mão esquerda, que facilita a visão do motorista. Se houver muitos carros, o ideal é encostar no meio fio e esperar os carros passarem para continuar.
Quando você perceber que um veículo que vem atrás de você quer dobrar uma esquina, tenha certeza de que o motorista esteja vendo sua posição. Faça um sinal para ele e, se precisar, dê um grito “Olha a bike!”. Mas não fique olhando para trás o tempo todo. Colisão por trás do ciclista corresponde a menos de 1% dos acidentes.
Seguindo essas dicas, você será mais visto e respeitado por motoristas e pedestres, um importante passo para uma pedalada segura e saudável.

Andando pelas ruas de São Paulo, reparo em um símbolo grafitado em uma parada de ônibus. Me aproximo e consigo distinguir: sim, é a silhueta de uma bike! O poder de sugestão é grande! Fico imaginando este ponto de ônibus, na hora do rush, lotado, e o cidadão olhando para a imagem da bike, imaginando o vento no rosto, a sensação de liberdade, a possibilidade de chegar mais cedo e com mais qualidade em casa…
Esta mesma imagem da bike pode ser vista pelo motorista através da janela do carro parado ao lado do ponto. Parado em mais um dos congestionamentos “monstros” da cidade de São Paulo. E este motorista imediatamente começa a sonhar…
Pedalando pela cidade, muitas vezes pude acompanhar estes momentos de sonho e devaneio, percebidos através de olhares invejosos, curiosos, incentivadores, desaprovadores, mas a maioria sonhadores, que eu e minha bike recebemos.
E como tornar esse sonho de integrar a bicicleta à sua rotina uma realidade? Esta é a proposta deste site. Neste texto e nos próximos, nós vamos falar muito sobre como você pode trocar o carro pela bike, deixando seu corpo mais saudável, sua cidade mais limpa e sua vida mais feliz!
Ainda vemos as bikes apenas como instrumentos de lazer. Mas você já pensou que ela pode te levar ao trabalho, ao supermercado, ao cinema?
É fato que o trânsito, da maneira como está hoje, não é nada convidativo para a pessoa que está pensando em começar a andar de bike. Um verdadeiro caos. Mas não seria exatamente este o motivo para aposentar o veículo?
Já de antemão, avisamos que trocar o carro pela bike não é uma decisão para todas as situações, mas em grande parte dos casos pode funcionar muito bem.
Para fazer esta troca de maneira prazerosa, a primeira questão é a escolha do trajeto. Você deve, sempre que possível, evitar as grandes avenidas, especialmente no início. E, mesmo quando se tornar um atleta e tiver mais experiência na bike, pense bem: é muito mais gostoso andar por ruas calmas e arborizadas!
O melhor lugar para começar a pedalar - depois de você treinar o equilíbrio dando voltas por um parque, por exemplo - são as ruas mais tranquilas do seu bairro. Vá até a farmácia, ao cinema, à academia, ao seu clube (neste caso é muito bom já chegar para o treino aquecido!). Por mais injusto que seja, afinal, estamos compartilhando a mesma via, mantenha sempre uma postura defensiva. Os veículos, na maioria das vezes, são sempre maiores que as bikes, e não devemos competir com eles.
Mas saiba que devemos nos colocar em nosso devido lugar: a rua. Devido ao trânsito e o baixo número de vias específicas para bikes, a tentação de andar pela calçada é grande. No entanto, isso é falta de respeito com os pedestres, além de ser um potencial risco de acidente, porque um carro pode sair de uma garagem sem te ver e acabar te atropelando.
Pedalando na rua, não devemos irritar os motoristas, bancando o “folgadão”, andando no meio da faixa. Mas também não se esprema no canto, sob o risco de se tornar invisível para os motoristas. Ocupe seu território! Ciclista que mostra presença é mais respeitado por motoristas.
Lembre-se que a bike como meio de transporte é indicada para percursos de até 7 quilômetros, o que equivale a no máximo 30 minutos de viagem, a uma velocidade média de 15 km/h, bastante razoável para um ciclista iniciante. Em trajetos maiores, o ideal é realizar a comutação, isto é, conjugar a bike com outros meios de transporte.
No mais, como em tudo na vida, o ideal é evitarmos os radicalismos. Mesmo decidido a usar a bike como meio de transporte, você é livre para utilizá-la quando der! Com certeza, este já será um belo passo - ou uma boa pedalada -, que certamente acrescentará muita qualidade de vida ao seu cotidiano!
Seja bem-vindo ao “Eu Vou de Bike” e compartilhe conosco suas experiências, dúvidas e sugestões para fazermos da bike uma grande companheira da nossa rotina.
Foto no Flickr do James Justin